Perfeccionismo, frustração e compulsão

Uma das coisas que me fez entender claramente o mundo perfeccionista foi decifrar este mecanismo que está descrito no título do post.

Mas pra gente entender como este mecanismo funciona, vou relatar uma das coisas mais legais que aprendi na terapia.

Segundo o nosso querido Freud (pai da psicanalise) nossa vida mental é divida em 3 partes: ID, EGO e SUPEREGO.

O EGO é o nosso lado consciente. O Ego é você propriamente dito.

Seu pai e sua mãe constituem o SUPEREGO. Tudo o que você aprendeu com eles, faz parte do Superego. Ele é o seu juiz interno.

Agora, e o ID? É a parte das vontades e dos desejos mais primitivos, é a necessidade básica.

Complicou? Calma que eu explico.

Pense numa criança de 3 anos de idade. Quando nascemos, somos puro ID. Satisfazemos apenas e exclusivamente nossas vontades. Não temos pudor, julgamento, crítica, moral, etc. “Quando eu quero uma coisa, eu quero agora e já!!!”. Ou seja, a criança ainda não tem o Superego e nem o Ego em sua formação mental. Por isso que é muito difícil educar uma criança. Se tem alguma leitora mãe lendo este post, ela vai concordar comigo..rsrs. Ou seja, educar uma criança é ajudar na formação do Ego e do Superego. Conforme a criança vai crescendo, podemos perceber quando isso vai surgindo.

Mas e quando os pais não conseguem ensinar para a criança como lidar com a frustração? E quando a criança não consegue o que quer? Ela chora, se joga no chão, faz escândalo, certo? E ainda hoje? Será que não é assim com você? Quando algo não sai do jeito que você queria, qual sua reação?

Eu fui uma criança tímida, com autoestima baixa, que se esforçava muito para agradar os pais. E o que acontecia quando eu não conseguia?. O que eu fazia com o sentimento de frustração? Sentimento de derrota e fracasso?. Eu comia. E comia muito para amenizar esta frustração. Sou compulsiva por doces.

Eu acho que todo perfeccionista é alguém que, sem consciência, reproduz este mecanismo: tenta agradar, não consegue, se frustra e, em alguns casos, se joga na compulsão. Compulsão por comida, por compras, por cigarro, etc.

Se você é perfeccionista mas não tem nenhuma compulsão, parabéns pra ti!! Mas tente perceber como você lida com a frustração do “erro”…um engano no trabalho, uma nota baixa na prova, etc.

O perfeccionista é aquela criança carente, querendo chamar a atenção dos pais pra ter mais amor e afeto. É também aquela criança que não sabe lidar com as frustrações, que fica sem rumo quando as coisas não saem conforme o planejado, que não se joga no chão e chora porque o seu Superego (o juiz interno!) não deixa.

Deixar de ser perfeccionista é a dura passagem para a vida adulta. É difícil para todo mundo.

O adulto de verdade sabe que errar é humano. O adulto tem paciência consigo mesmo e com os outros. O adulto sabe que com o erro, ele tem uma ótima oportunidade de aprendizado.

O adulto não tem o fardo de agradar todo mundo. Isso é passado. Ele sabe que é humanamente impossível agradar todo mundo e não fica mais chateado quando alguém não lhe dá atenção.

O adulto se cobra na medida certa. E não fica esperando o aplauso dos outros.

Se você quer se livrar do perfeccionismo, tente “afrouxar” o seu superego. É o massacre que ele faz no ID que te causa tanta dor e sofrimento.

2 comentários em “Perfeccionismo, frustração e compulsão

  1. Adorei essa postagem! Desde que me tornei mãe o processo de auto conhecimento disparou, o perfeccionismo também. Mas entender o mecanismo faz TODA a diferença.

    Uma questão sobre a criança frustrada, acho que a grande questão é aceitar o que consideramos “birra” justamente porque ela não sabe lidar com a frustração, ela nem sabe que está frustrada. Esse processo começa junto com o EGO, quando a criança começa a ser perceber como indivíduo, conhece o NÃO e inicia a separação fusional da mãe. Entende como tantas mudanças acontecem ao mesmo tempo? Tem até um termo Terrible Two, ou a adolescência do bebê rsrs…

    Então, acho que o meu papel como mãe é primeiro acolher a frustração e a forma como a criança a expressa (pq ela não tem ferramentas para expressar melhor), depois de acalmá-la explicar o que aconteceu (ela ficou frustrada por tais motivos, tentar nomear os sentimentos) e dar as ferramentas para ela ir aprendendo a lidar com isso de outra forma.

    E por que estou explicando esse processo de como o vejo sendo mãe? Para tentar entender o que nossos pais fizeram. A maioria dos pais não acolhe a frustração, eles ficam revoltados com o a forma que expressamos (chamam de birra, como se fosse uma manipulação, um joguete infantil para conseguir o que quer), tentam reprimi-la, sem explicação: “Não pode fazer isso e pronto. Engula o choro, se controle”. Mais dia menos dia aprendemos a fazer isso, não por controle ou por aprender a lidar com aquilo, mas porque a consequência (castigo, apanhar, ou só o olhar torto dos pais, nós amamos nossos pais, queremos agradá-los, sermos considerados bonzinhos – só a ideia da retirada de amor nesse período é perturbadora) é muito pior. Eu acho que é ai que vira compulsão, porque essa frustração tem de sair de algum jeito, não temos ferramentas, dá-lhe compulsão.

    E essa questão da retirada do amor é essencial. Meu filho teve um acesso de descontrole esses dias (ele tem 2 anos e 2 meses), eu consegui não me enfurecer junto (é meu primeiro impulso sempre), consegui abraçá-lo (ele se debatia) e dizer o que gostaria de ouvir nos meus descontroles: “Eu te amo, mesmo no seu descontrole, eu vou te amar sempre, vou estar sempre com você. Você vai se descontrolar até aprender a lidar com tanta emoção e eu vou estar com você. Vamos aprender juntos, pq tmb num sei”. Mas dizer só não basta, é preciso sentir isso, respirar com calma, crianças sentem tudo. Então, enquanto o abraçava pensava na criança em mim sendo acalentada. Aceitava o descontrole dele e o meu, amava a ele e a mim. Foi libertador. E aos poucos senti o corpo dele relaxando, se entregando pro abraço, o choro diminuindo, até que ele me abraçou de volta. Apertado e sem choro. Depois disso, conversamos sobre como ele se sentia e fomos brincar.

    PS: desculpe a postagem enorme! Vou ler o blog agora. Beijos

    1. Olá Roberta!!

      Muito obrigada por compartilhar esta experiencia conosco!.
      É por aí mesmo. OS pais precisam aprender como lidar com a frustração da criança pq isso vai se refletir ao longo da vida dela. Eu não tenho filhos, mas sempre tive muita dificuldades em lidar com frustrações. Sempre reagi muito mal. Sempre fiquei com raiva, explodia por dentro, tinha compulsão por comida (raiva) e várias outras coisas. Só depois de muita terapia é que fui melhorando, amadurecendo. É um processo longo e demorado.

      Eu tenho um sobrinho de 5 anos e é incrível como a minha irmã é igualzinha a minha mãe quando éramos crianças. Enfim, a gente reproduz aquilo que aprendeu, ou seja, não podemos ser algo que não vivenciamos. Minha irmã pode até ter achado ruim a educação rígida que minha mãe deu pra gente, mas ela não conhece e não vivenciou outro tipo de educação, logo, com o meu sobrinho, ela acabou copiando o modelo de nossa mãe.

      Você já conhece o meu novo blog? tive uns problemas pessoais este ano de 2013, mas vou retoma-lo. Lá, eu escrevo sobre assntos diversos (Blog: Uma estrela caiu). Espero que goste =). Ainda esta semana, tem post novo!

      bjs!
      Carol

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